quarta-feira, 9 de março de 2011

mistério

É um mistério só para mim. De certeza que não o é para os outros e muito menos para quem estava comigo nessas situações, embora essas pessoas tivessem estampado o espanto nas suas caras, quando acontecia aquilo.

Gostava que houvesse registo filmado desses momentos, para perceber melhor a minha habilidade.

Uma dessas vezes, foi precisamente num carnaval.

Estávamos seis ou sete pessoas sentadas a uma mesa redonda. Conversávamos animadamente, ouvíamos a música e víamos o baile. De repente, à porta do salão apareceram três sujeitos mascarados. Nada de terrífico, mas assustou-me e, no mesmo momento em que me assustou, eu apareci do lado oposto àquele em que estava sentada.

Como é que eu fui lá parar, por onde fui, por onde passei, não faço ideia. Sei que foi instantâneo e, porque não acredito que me tenha teletransportado, o espanto das pessoas que estavam comigo só podia ser relativo à minha rapidez, mas nunca ninguém me contou como aconteceu. Nem desta vez, nem das outras todas.

Este caso do carnaval foi um entre muitos, meramente curiosos, divertidos e sem outras implicações. Mas, por duas vezes, esta minha conduta, quiçá, ultra cobarde, salvou-me a vida e uma outra vez evitou que eu fosse parar ao hospital com uns quantos ossos partidos.

Hoje lembrei-me de escrever isto só para dizer que talvez o Sr Jorge Jesus não tenha dito o que disse (e que transcrevi no post anterior) à toa. Não sei é se, no meu caso, fui buscar a habilidade mentalmente, mas se fui, certamente que foi a uma qualquer parte da mente onde não penso.

Todos podemos ser o herói ou a heroína, que salta de um prédio para o outro, que enfrenta um incêndio ou que se atira a um mar cheio de tubarões para salvar uma vida, mas só o sabemos de facto no momento em que acontece. E é possível que não gostemos nem um bocadinho daquilo que ficamos a saber.

Porém, se no acto nós vamos buscar força mentalmente ao sítio da mente onde não pensamos, então, não há heróis nem falhados: apenas humanos.

2 comentários:

JPD disse...

O medo não se compreende e não se explica.
Enfrenta-se
Umas vezes, com tenacidade e acção surpreendente; outras, com reações estranhas que chegam a surpreender-nos.

Bjs

lélé disse...

JPD... Em resumo, o medo sempre nos surpreende... Talvez porque nunca saibamos exactamente do que temos medo, ou do que temos mais medo, não é?
Beijinhos