Para "acalmar" os mercados e promover a credibilidade junto deles viemos de PEC em PEC até ao memorando final.
Aqui chegados, nem os mercados acalmaram, nem a ajuda internacional é "serena".
Uma evidência, porém, é que aquela história do "não pagamos" foi atirada para cima do PCP e do BE, que apenas afirmaram a necessidade de renegociação da dívida o quanto antes e, precisamente, para não chegarmos ao ponto de ter de dizer "não pagamos".
(A ideia da reestruturação da dívida, aliás, já começou a ser ponderada pelos próprios Bancos, nomeadamente pelo Banco Alemão, o que, convenhamos, desacredita bastante quer os que desenharam o acordo, quer os que o assinaram quase de cruz.)
Entretanto, os três partidos (PS, PSD e CDS), que assinaram o acordo e que tanto se escandalizaram com o que diziam os outros dois partidos ("Quê? Renegociar a dívida?! Os senhores estão doidos! Isso é o mesmo que dizer que não pagamos!"), foram exactamente aqueles que o disseram, de forma implícita, que, em política e muito especialmente em negócios não convém ser-se explícito.
Não porque seja a sua vontade! Dou-lhes esse crédito. Mas porque é essa a situação a que vamos chegar, muito provavelmente em menos de um ano (a Grécia ainda aguentou um ano).
Mas eles assinaram o acordo e sabiam disso. Por sua vez, os senhores da tróica também sabem disso, ou são mais avessos às evidências do que o próprio sócrates! Então, não é legítimo que eu pense que a ideia desses senhores e de todos os apêndices deles é "comprar" Portugal ao preço da uva-mijona?
Basicamente, parece-me que este acordo segue os mesmíssimos trilhos que levaram à crise dos sub-prime, que, por sua vez, levou quase todo o mundo ocidental (e talvez não só) a sentir-se resvalar para uma situação de falência, além de ter levado muitas e muitas pessoas efectivamente à falência.
E, já agora...
Por enquanto, vemos um sócrates a dizer: "Estão a ver? Rejeitaram o PEC 4, obrigaram-me a pedir ajuda externa e, afinal, para quê, se o acordo com a tróica é igual ao PEC 4?"
Daqui a menos de um ano, quando nos estivermos a ver gregos (infelizmente esta expressão tem uma actualidade atroz), veremos um sócrates, dentro ou fora da Assembleia da República, como primeiro ministro (cenário tenebroso) ou não, dizer: "Estão a ver? Eu bem os avisei! Se não tivessem chumbado o PEC 4, que era muito melhor do que este acordo com a tróica, não estaríamos nesta situação."